BAURU| CEI da Sucata: Fiscal da EMDURB Confessa Ter Levado Telhas da Rodoviária para Propriedade Privada

Compartilhe:

Em oitiva, servidor confirmou “permuta” de telhas públicas por madeiras e pregos; troca teria sido autorizada por diretor da empresa municipal após vendaval de 2025.

BAURU/SP – A Comissão Especial de Inquérito (CEI) que investiga a destinação de materiais da EMDURB, conhecida como “CEI da Sucata”, avançou em uma fase crucial nesta semana. Durante oitiva oficial feita pela vereadora Estela Almagro (PT), o fiscal de transporte da autarquia, Luiz Adriano de Souza Carvalho, confirmou ter retirado 17 telhas do Terminal Rodoviário para uso em sua propriedade particular. O depoimento detalhou um esquema de permuta informal de materiais públicos que ignora os ritos legais de alienação de bens do município.

A “Troca” de Materiais

Segundo o depoente, o episódio ocorreu após o vendaval que atingiu a cidade em 22 de setembro de 2025. Luiz Adriano afirmou que adquiriu madeiras e pregos (no valor de R$ 3.390,00) para a obra do refeitório da EMDURB e, em contrapartida, recebeu as telhas retiradas da Rodoviária.

O fiscal apontou o nome de Levi Momesso, diretor de Limpeza Pública da EMDURB, como a autoridade que teria autorizado a transação. O acerto teria tido a intermediação do pedreiro Wilson Miranda, do setor de manutenção, que teria elaborado a lista de materiais necessários para a empresa e apresentado o interesse do fiscal na “troca”.

Falta de Critério e Avaliação

Um dos pontos que mais chamou a atenção dos vereadores da comissão foi a ausência de qualquer avaliação oficial do patrimônio público envolvido.

  • Sem Estimativa de Valor: Luiz Adriano não soube explicar como o valor das 17 telhas foi estimado para equivaler à compra dos materiais de construção.
  • Transporte Particular: O servidor relatou que contratou um frete por conta própria para retirar as telhas da Rodoviária e levá-las até sua propriedade, cerca de 15 dias após a compra das madeiras.

Implicações Legais

A prática de “permuta” entre um servidor e uma empresa pública sem processo licitatório ou leilão de bens inservíveis fere princípios básicos da administração, como a impessoalidade e a moralidade. A CEI agora busca entender se essa era uma prática comum dentro da EMDURB e qual o nível de conhecimento da diretoria sobre essas movimentações de materiais.

A comissão segue reunindo documentos e deve convocar, em breve, o diretor Levi Momesso e o pedreiro Wilson Miranda para confrontar as versões apresentadas.


Radiografia do Depoimento

ItemDetalhe Confessado
Bens Públicos17 telhas do Terminal Rodoviário.
Bens PrivadosMadeiras e pregos (Nota Fiscal de R$ 3.390,00).
Destino das TelhasPropriedade privada do fiscal Luiz Adriano.
Suposta AutorizaçãoLevi Momesso (Diretor de Limpeza Pública).
Fato GeradorDanos causados pelo vendaval de 22/09/2025.

Outras Notícias

Domínio Global Consultoria Web